Professores

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hamo-me Carlota Sacoto e sou professora e fundadora da Almatuga. Lisboa foi a cidade que me viu nascer e crescer. Tirei os cursos de Formação para Professores de Português Língua Estrangeira no CIAL – Centro de Línguas, em Lisboa, de Estratégias de Aprendizagem para Professores, da Universidade Aberta e o de Didática do Português Língua de Herança, do Camões I.P.

Ensino a Língua Portuguesa em Varsóvia desde 2012 e o meu gosto pelo ensino da língua cresce a cada aula lecionada.

Foi o apelo do desconhecido, o gosto pela observação do comportamento das pessoas, de diferentes hábitos e culturas que me fez chegar à Polónia pela primeira vez. No final do segundo ano da faculdade, em Lisboa, decidi participar no programa Erasmus e escolhi a cidade de Varsóvia para estudar no semestre seguinte.  Em setembro de 2007, vim estudar e viver temporariamente para Varsóvia, por não conhecer e considerar que a cultura, vários hábitos e até o clima seriam certamente diferentes daquilo a que estava habituada.

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Nessa altura, algumas das ideias feitas que tinha sobre a Polónia e os polacos foram deitadas por terra e fiquei realmente surpreendida com a beleza e o ainda grande impacto da história e passado recentes do país na vida das pessoas.

Durante o semestre de inverno que passei na Polónia, sempre falei em Inglês, porque apesar de ter começado a aprender polaco, a grande dificuldade inicial da língua e a falta de organização e investimento pessoal não me deixaram aprender como gostaria. Talvez por isso não tenha conhecido e compreendido melhor a cultura polaca na altura, visto que é também através da língua de cada cultura que se conhecem e compreendem melhor as pessoas e os seus hábitos.

Regressei a Portugal em 2008, concluí o Mestrado Integrado em Psicologia, mas os contactos com a Polónia mantiveram-se. Em 2011, em Lisboa, recomecei a estudar polaco, mas desta vez de forma regrada, e a dificuldade gramatical inicial começou a ser ultrapassada aos poucos.

Depois de concluir o estágio profissional e iniciar a minha carreira profissional na área da Psicologia, decidi fazer o curso de formação para Professores de Português Língua Estrangeira. Em 2012, regressei a Varsóvia e comecei a dar aulas de Português a estrangeiros, e posteriormente também a crianças portuguesas — o que faço até hoje. Foi a dar as aulas, na convivência com os alunos, que encontrei uma forma de reviver as minhas raízes fisicamente tão distantes. Para continuar a aprofundar os meus conhecimentos na área do ensino, em agosto de 2013, fiz também uma ação de formação de Estratégias de Aprendizagem para Professores, na Universidade Aberta e um curso de formação sobre Didática do Português Língua de Herança do Camões, I.P., de fevereiro a junho de 2017.

Continuo a aprender polaco, mas foi desde que passei a viver em Varsóvia que comecei a falar fluentemente. Apesar de ainda não o fazer com a perfeição de que gostaria, acredito que com empenho e determinação seja possível ir melhorando cada vez mais.

Foi a partir da experiência fantástica de ensino da Língua Portuguesa em Varsóvia que surgiu a ideia de fundar um espaço que, para além proporcionar o ensino da minha língua materna, também fosse um espaço agradável de promoção da cultura portuguesa aberto a todos os que estejam nela interessados.

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hamo-me Nuno e nasci há 45 anos em Faro, capital da região mais a sul de Portugal – o Algarve. Estive durante grande parte da minha vida envolvido na indústria farmacêutica onde adquiri o gosto pelo contacto com as pessoas, de as ouvir e de as compreender. Nesse período compreendi que o meu papel era também o de educador devido à função de conselheiro que a minha antiga profissão engloba, portanto não foi difícil escolher um novo caminho quando se proporcionou a minha vinda para a Polónia em 2007 – Professor de Língua Portuguesa era o que eu queria fazer e para o que me preparei o melhor que consegui.

Dei os primeiros passos numa escola de línguas em Katowice onde tive a oportunidade de fazer um estágio preparatório que me ajudou imenso quando me mudei para Varsóvia. Na capital da Polónia fui adquirindo experiência no ramo, trabalhei em diversas escolas e institutos com destaque para a Universidade de Varsóvia onde tive a privilégio de integrar o quadro da Faculdade de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos. Ao mesmo tempo fui desenvolvendo as minhas competências na área da Língua Polaca, idioma que domino com algum conforto, mas que duvido que alguma vez consiga falar fluentemente – Polaco não é uma língua, é um código secreto que os polacos criaram para poderem comunicar entre si com total segurança.

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Na minha opinião, o trabalho do professor não se esgota no ensino da língua, mas deve estender-se a tudo que diga respeito à cultura portuguesa. O professor terá de ser capaz de estimular a curiosidade do aluno por Portugal e pelo Português e de transformar essa curiosidade em conhecimento e paixão. Ensinar Português é, por isso, mais do que uma paixão. É uma responsabilidade acrescida pois de mim depende por vezes a opinião que os alunos têm da minha Pátria.

 

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hamo-me João e sou músico. Nasci no Porto há mais de trinta anos onde cresci e vivi grande parte da minha vida. Venho de uma família de professores onde os temas da educação eram postos em cima da mesa em cada Natal e Páscoa. Tirei um mestrado em Geografia pela Universidade do Porto, mas antes disso tive a oportunidade de viver em Espanha e Londres onde morei e estudei dois anos. Mas, por razões pessoais, decidi mudar-me para Wrocław há mais de 10 anos. Na Polónia decidi focar-me na música ao mesmo tempo que comecei a minha carreira de professor de português que sem interrupções durou 7 anos.

Mudei-me para Varsóvia há pouco tempo e quis voltar à atividade de professor de forma a conhecer pessoas que me inspirem a dar o meu melhor, quer no ensino de português como na minha música.

A minha ideia em relação ao ensino de português é que sem as pessoas com quem queremos comunicar não há obviamente comunicação. E, para mim, essa é a parte mais importante de saber uma língua: conhecer o outro, a sua cultura, as suas razões e motivações. O ensino é, sem dúvida, um espelho da aprendizagem, no qual há tanto para dar e receber. E uma oportunidade destas não se pode simplesmente perder.

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